quinta-feira, 30 de maio de 2013

Caçador de planetas da Nasa pifa, mas estudos continuam

A mais ambics diosa e poderosa missão de caça a planetas pode ter um fim prematuro. Mas ainda haverá novas descobertas vinda do satélite Kepler durante anos.
O telescópio da NASA, agência espacial americana, parou de colher dados científicos em 11 de maio, após a pane de um de seus giroscópios.
São quatro ao todo, e sua função é permitir o direccionamento preciso do telescópio para a região do céu escolhida para a pesquisa, onde ele monitor cerca de 150 mil estrelas em busca de sinais de planetas ao seu redor.
A precisão oferecida pelos giroscópios é de um milionésimo de grau, e o Kepler poderia operar com só três deles. Só que um já havia estragado no ano passado e, agora, outro encalhou.
O satélite entrou em "modo de segurança" (como um computador doméstico quando tem um problema) e sua orientação é mantida por propulsores. Os engenheiros do projeto elaboram um plano que tentará recuperar um dos dois dispositivos estragados.
"Qualquer ação de recuperação levará tempo", diz Roger Hunter, gerente da missão. "Possivelmente meses."

Previsôes meteorológicas para Titã: Clima Selvagem

Se dois novos modelos estiverem correctos, a lua de Saturno, Titã, poderá passar por alguns fenómenos climáticos selvagens à medida que chega a Primavera e o Verão. Os cientistas pensam que à medida que as estações mudam no hemisfério norte de Titã, possam haver ondulações nos mares de hidrocarbonetos da lua, e que também poderão originar furacões nessas áreas. O modelo que prevê ondas tenta explicar dados da lua obtidos até agora pela sonda Cassini da NASA. Ambos os modelos ajudam os membros da equipa a planear quando e onde procurar por perturbações atmosféricas invulgares à medida que o Verão se aproxima de Titã.
"Se acha que é difícil prever o tempo cá na Terra, é ainda mais complicado em Titã," afirma Scott Edgington, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "Sabemos que existem processos meteorológicos semelhantes aos da Terra neste mundo estranho, mas com diferenças devido à presença de líquidos estranhos como o metano. Estamos ansiosos que a Cassini nos diga se as nossas previsões meteorológicas estão correctas, à medida que continua a sua viagem pela Primavera de Titã até ao Verão no hemisfério Norte."
A região polar norte de Titã, adornada por vastos mares e lagos de hidrocarbonetos, estava escura quando a Cassini chegou ao sistema saturniano em 2004. Mas a luz foi subindo no hemisfério norte de Titã desde Agosto de 2009, quando o Sol atravessou o plano equatorial no equinócio. Cada estação em Titã dura cerca de 7 anos terrestres. Em 2017, no final da missão da Cassini, Titã vai estar perto do solstício a norte, no auge do Verão.
Desde que a Cassini observou dunas esculpidas por ventos em Titã, que os cientistas querem saber porque é que não viram ainda ondas nos lagos e mares. Uma equipa liderada por Alex Hayes, membro da equipa de radar da Cassini, da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, começou por determinar quanto vento seria necessário para gerar ondas. O novo modelo, publicado na revista Icarus, aperfeiçoa os anteriores ao ter em conta a gravidade de Titã, a viscosidade e tensão superficial do líquido de hidrocarbonetos nos lagos, e o rácio de densidade entre o ar e o líquido.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Pesquisadores da UFRN anunciam descoberta de estrela gêmea do Sol

Pesquisadores da Universidade Federal (UFRN) anunciaram a descoberta da CoRot Sol 1, nome dado à estrela gémea solar conhecida como a mais distante da Via Láctea, galáxia que abriga o Sistema Solar. De acordo com os cientistas, a análise do astro ajuda a prever o futuro do Sol, além de dar aos astrônomos a oportunidade de testar as atuais teorias da evolução estelar e solar.
O líder da equipe de pesquisadores, José Dias do Nascimento, explica que a CoRoT Sol 1 é cerca de 2 bilhões de anos mais velho que o Sol, mas o período de rotação de ambos é quase o mesmo. "É a única estrela com essas características que é mais velha do que o Sol", informa o astrônomo. A massa e composição química de ambas é semelhante, conforme o estudo desenvolvido na UFRN. No entanto, ao contrário das outras gêmeas solares, que são relativamente brilhantes, o brilho da CoRoT Sol 1 é 200 vezes mais fraco do que o do Sol.
O fato de a estrela gêmea estar em um estágio ligeiramente mais evoluído que o Sol será utilizado para análises sobre o futuro do Sistema Solar. "Em 2 bilhões de anos, na idade que o Sol terá a idade atual da gêmea solar CoRoT Sol 1, a radiação emitida pelo Sol deve aumentar e tornar a superfície da Terra tão quente que a água líquida não poderá mais existir lá em seu estado natural", comenta Nascimento. As informações analisadas pela equipe foram captadas pelo satélite CoRoT, lançado em 2006 e operado do Havaí, nos Estados Unidos.

Brilhante explosão na Lua

A Lua tem um novo buraco na sua superfície, graças a uma pedra que colidiu em Março, criando a maior explosão que os cientistas já viram na Lua desde que começaram a monitorizá-la.
O meteorito caiu no dia 17 de Março, batendo na superfície lunar a uns estonteantes 90.000 km/h e criando uma nova cratera com 20 metros de largura. O acidente provocou um flash brilhante de luz que teria sido visível a qualquer pessoa que olhava à vista desarmada para a Lua naquele momento.
"No dia 17 de Março de 2013, um pequeno objecto rochoso atingiu a superfície lunar no Mare Imbrium (latim para 'Mar de Chuvas')," afirma Bill Cooke num comunicado do Gabinete Ambiental de Meteoróides da NASA. "Explodiu com um flash quase 10 vezes tão brilhante como qualquer evento lunar já antes visto."
Os astrónomos da NASA monitorizam a Lua em busca de impactos há já oito anos, e nunca tinham visto nada tão poderoso.
Os cientistas não viram o impacto ocorrer em tempo real. Só quando Ron Suggs, analista do Centro Aeroespacial Marshall em Huntsville, Alabama, EUA, analisou um vídeo do evento registado por um dos telescópios de 14 polegadas do programa de monitorização, este foi descoberto.
"Saltou-me logo à vista, era muito brilhante," afirma Suggs.
Os cientistas deduziram que a rocha media entre 0,3 e 0,4 metros e pesava cerca de 40 kg. A explosão criada foi equivalente a 5 toneladas de TNT.
Quando os pesquisadores estudaram os seus registos de Março, descobriram que o meteoro lunar não deve ter sido um evento isolado.
"Na noite de 17 de Março, as câmaras de todo o céu da NASA e da Universidade de Ontário Oeste registaram um número invulgar de meteoros penetrantes aqui na Terra," afirma Cooke. "Estas bolas de fogo viajavam em órbitas quase idênticas entre a Terra e a cintura de asteróides."
Embora a atmosfera da Terra proteja a superfície destes meteoros, a Lua não tem esta sorte. A falta de uma atmosfera expõe-a a todas as rochas, e o programa de monitorização da NASA já avistou mais de 300 impactos desde 2005.
Parte da motivação do programa é a eventual intenção de enviar astronautas de volta à Lua. Quando lá chegarem, têm que saber a frequência de impactos na superfície, e se certas partes do ano, coincidindo com a passagem da Lua por zonas mais "movimentadas" do Sistema Solar, representam perigo.
"Nós estaremos atentos a sinais de novos impactos no ano que vem quando o sistema Terra-Lua passar pela mesma região do espaço," afirma Cooke. "Entretanto, a nossa análise do evento de 17 de Março continua."
Os cientistas também esperam usar a sonda LRO (Lunar reconnaissance Orbiter) da NASA para fotografar o local de impacto e aprender mais sobre o impacto.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

HUBBLE DESCOBRE ESTRELAS MORTAS "POLUÍDAS" POR DETRITOS PLANETÁRIOS


O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA encontrou sinais de planetas tipo-Terra num local improvável: as atmosferas de um par de estrelas "queimadas" num aglomerado vizinho de estrelas. As estrelas anãs brancas estão poluídas por detritos de objectos tipo-asteróide caindo sobre elas. Esta descoberta sugere que a formação de planetas rochosos é comum em enxames, afirmam os investigadores.
As estrelas, conhecidas como anãs brancas - pequenos restos ténues de estrelas que já foram como o Sol - residem a 150 anos-luz no enxame estelar das Híades, na constelação de Touro. O enxame é relativamente jovem, com apenas 625 milhões de anos.
Os astrónomos acreditam que todas as estrelas se formam em enxames. No entanto, a procura por planetas nesses grupos não foram frutíferas - dos cerca de 800 exoplanetas conhecidos, apenas se conhecem quatro que orbitam estrelas em enxames. Esta escassez pode ser devida à natureza das estrelas no enxame, que são jovens e activas, produzindo erupções estelares e outras explosões que tornam difícil a sua análise em detalhe.
Um novo estudo liderado por Jay Farihi da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, observou estrelas "reformadas" do enxame em busca de sinais de formação planetária. As duas estrelas "poluídas" nas Híades fazem parte de uma busca por detritos planetários em torno de mais de 100 anãs brancas, liderado por Boris Gänsicke da Universidade de Warwick, também no Reino Unido. Usando modelos computacionais das atmosferas de anãs brancas, Detlev Koester da Universidade de Kiel, na Alemanha, está a determinar as abundâncias de vários elementos que podem ser traçados até planetas nos dados.
As observações espectroscópicas do Hubble identificaram silício nas atmosferas de duas anãs brancas, um dos principais ingredientes do material rochoso que forma a Terra e outros planetas terrestres no Sistema Solar. Este silício pode ter vindo de asteróides que foram triturados pela gravidade das anãs brancas quando passaram demasiado perto das estrelas. O material rochoso provavelmente formou um anel em torno das estrelas moribundas, que então atraiu o material para mais perto.
Os detritos detectados em torno das anãs brancas sugerem que planetas terrestres se formaram quando estas estrelas nasceram. Após as estrelas colapsarem para formar anãs brancas, os gigantes gasosos sobreviventes podem ter gravitacionalmente empurrado membros de quaisquer restantes cinturas de asteróides para órbitas muito excêntricas. As evidências de asteróides apontam para a possibilidade de planetas tipo-Terra no mesmo sistema. Os asteróides são os blocos de construção dos planetas. Os processos de formação planetária são ineficientes, e desenvolvem muitas vezes mais corpos pequenos que grandes - mas assim que os embriões rochosos com o tamanho de asteróides são construídos, seguem-se planetas.
"Nós identificámos evidências químicas para os blocos de construção de planetas rochosos," afirma Farihi. "Quando estas estrelas nasceram, construíram planetas, e há uma hipótese de ainda reterem alguns deles. Os sinais de detritos rochosos que vemos são prova disso - é pelo menos tão rochoso como os corpos terrestres primitivos no nosso Sistema Solar."
Além de encontrar silício nas atmosferas das estrelas nas Híades, o Hubble também detectou baixos níveis de carbono. Este é outro sinal da natureza rochosa dos detritos, pois os astrónomos sabem que os níveis de carbono devem ser muito baixos em material rochoso parecido com a Terra. Para a descoberta da sua fraca assinatura química foi necessária a utilização do poderoso instrumento COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble, dado que as impressões digitais do carbono só podem ser detectadas no ultravioleta, que não pode ser observado a partir de telescópios terrestres.
"A única coisa que a técnica de poluição de anãs brancas nos dá e que não conseguimos obter com qualquer outra técnica de detecção planetária, é a química dos planetas sólidos," afirma Farihi. "Com base na relação silício-carbono no nosso estudo, por exemplo, podemos realmente dizer que este material é basicamente parecido com a Terra."
Este novo estudo sugere que os asteróides com menos de 160 km de diâmetro (a equipa estimou o tamanho dos asteróides em queda ao medir a quantidade de poeira devorada pelas estrelas - cerca de 10 milhões de gramas por segundo, equivalente ao fluxo de um pequeno rio. Compararam então os dados com medições de material que cai sobre outras anãs brancas) foram gravitacionalmente dilacerados pelas forças de maré das anãs brancas, antes de eventualmente cair sobre as estrelas mortas (o estudo das Híades fornece mais informações sobre o que vai acontecer ao Sistema Solar quando o Sol morrer, daqui a cinco mil milhões de anos).
A equipa planeia analisar mais anãs brancas com a mesma técnica para identificar não só a composição das rochas, mas também dos corpos estelares. "A beleza desta técnica é que independentemente do que o Universo está a fazer, vamos ser capazes de o medir," afirma Farihi. "Temos vindo a utilizar o Sistema Solar como uma espécie de mapa, mas nós não sabemos o que o resto do Universo faz. Esperamos que com o Hubble e o seu poderoso espectrógrafo ultravioleta COS, e com os futuros telescópios terrestres de 30 e 40 metros, sejamos capazes de contar mais desta história."

Falha técnica para telescópio de buscas de exoplanetas Kepler


O telescópio espacial Kepler, utilizado pela NASA para a busca de exoplanetas, está paralisado por um problema técnico devido a uma roda defeituosa, que poderia por um fim antecipado à sua missão de quatro anos, disseram nesta quarta-feira cientistas da agência espacial americana. 

A missão de US$ 600 milhões foi lançada em 2009 para a busca de planetas fora do Sistema Solar. Até o momento, Kepler encontrou 2,7 mil candidatos, inclusive um punhado de planetas que poderiam ser habitáveis porque não são nem frios, nem quentes demais. 

O problema foi detectado quando uma roda de reação que permite ao telescópio apontar para uma direção deixou de funcionar, disse John Grunsfeld, encarregado da divisão de ciência da agência espacial americana, durante entrevista coletiva por telefone. 

"Não estamos prontos para dar a missão por finalizada", disse Grunsfeld, acrescentando que os cientistas ainda estão tentando decifrar como fazer a roda funcionar novamente. 

O problema foi detectado nesta terça-feira, quando o telescópio entrou em um modo de segurança pré-programado que acontece "se o observatório tem problemas para saber para onde deveria apontar", disse Grunsfeld. 

Os cientistas previam que um problema assim poderia acontecer, já que as rodas têm uma vida útil limitada e uma delas tinha se quebrado em Julho passado. 

A NASA não voltou a ativar esta roda desde então e a nave precisa de um mínimo de três rodas para funcionar da forma que deveria. 

Charles Sobeck, gerente de projetos do centro de pesquisas Ames da NASA  na Califórnia, disse haver indícios de uma "falha interna na roda" e que os especialistas levarão algumas semanas para decidir quais são os próximos passos a dar. 

Enquanto a Nasa decide o que fazer, se reduzirá o consumo de combustível da nave espacial, estacionando-a no espaço a 64 milhões de quilómetros da Terra.​ 



Projeção artística mostra o telescópio espacial Kepler. Foto: NASA / Divulgação

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Telescópio registra brilho de novas estrelas na constelação de Órion

Imagem divulgada nesta quarta-feira pelo Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) mostra as nuvens cósmicas na constelação de Órion, no que parece ser uma fita flamejante no céu.

A imagem mostra apenas uma parte do complexo maior conhecido como Nuvem Molecular de Órion, na constelação de Órion. Foto: ESO / Divulgação
O bilho laranja representa a radiação emitida pelos grãos de poeira, em comprimentos de onda longos demais para poderem ser vistos com o olho humano. A imagem foi obtida pelo telescópio Atacama Pathfinder Experiment (Apex), instalado no Chile.
As nuvens de gás e poeira interestelar são a matéria prima a partir da qual as estrelas se formam. A imagem mostra apenas uma parte do complexo maior conhecido como Nuvem Molecular de Órion, na constelação de Órion. Esta região, que apresenta uma mistura de nebulosas brilhantes, estrelas quentes jovens e nuvens de poeira fria, tem uma dimensão de centenas de anos-luz e situa-se a cerca de 1.350 anos-luz de distância da Terra.
A enorme nuvem brilhante que se vê na imagem, em cima e à direita, é conhecida Nebulosa de Órion, também chamada Messier 42. Pode ser vista a olho nu, aparecendo como a ligeiramente tremida "estrela" do meio na espada de Órion. A Nebulosa de Órion é a região mais brilhante de uma enorme maternidade estelar onde novas estrelas estão se formando, sendo também o local mais perto da Terra onde se formam estrelas de grande massa.
Os astrônomos utilizaram estes e outros dados do Apex, assim como imagens do Observatório Espacial Herschel, para procurar protoestrelas na região de Órion - uma fase inicial da formação estelar. Até agora foi possível identificar 15 objetos que são muito mais brilhantes nos comprimentos de onda longos do que nos curtos. Estes raros objetos recém descobertos estão provavelmente entre as protoestrelas mais jovens encontradas até agora, o que ajuda os astrônomos a aproximarem-se mais do momento em que uma estrela começa a se formar.